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13/07/2009

Memórias de Pedro Pires*

Eu vi um menino correndo...

Eu vi o tempo: Assisti, como todo o país, a festa de 50 anos de  Roberto Carlos no Maracanã.  E vendo a grandiosidade do espetáculo, a presença de 68 mil pessoas entusiasmadas, inúmeras personalidades,  debaixo de uma chuva torrencial, não pude deixar de me lembrar de um outro evento, há 26 anos atrás, no mesmo Maracanã, onde cerca de 94 mil pessoas, não deram a mínima para a chuva, para  a demora no início do espetáculo... vibrando e aplaudindo os artistas, que se esforçavam no centro do maior estádio do mundo...

Lembrei de 17 de julho de 1983, dia previsto e marcado para o Grande Desafio de Volei:  Brasil x URSS.

Sim, o maior jogo de voleibol do mundo, com duas grandes equipes. A URSS, campeã Olímpica e  Mundial, e a nossa amada seleção em ascendência, campeã  Sul-Americana e do Mundialito preparando-se para o Mundial da Argentina e as Olimpíadas de Los Angeles.

O Calhambeque: Luciano do Vale, José Francisco Leal, o “Quico” e José Cocco, peitaram  o mundo esportivo e lançaram o projeto mais audacioso de todos os tempos: usar o sagrado palco do Maracanã para um jogo de voleibol, que até o ano anterior era absolutamente desconhecido do grande público. E, claro, sem nenhum respaldo financeiro, nenhum crédito de nenhuma entidade.

Apenas a certeza de seus idealizadores e da diretoria da Rede Record, que abraçou carinhosamente o “calhambeque“ .

Além do Horizonte: Feitos todos os arranjos, confirmada a presença do grande adversário, pesquisou-se o melhor período para  a realização do jogo que, afinal, seria a céu aberto. O primeiro envolvendo equipes de nível mundial. Todas as pesquisas indicaram o mês de julho como o de menor índice pluviométrico dos últimos 10 anos no Rio de Janeiro (lembrando que não havia toda a tecnologia atual para previsões climáticas e era grande o índice de erros).

Marcado o dia:  17 de julho  de 1983 às 21h30.

As curvas da Estrada de Santos: Equipes motivadas, grande promoção, palco armado no centro do gramado, ingressos vendidos, público presente e nas curvas da estrada, o espetáculo derrapa nas águas do dilúvio que se abate sobre o Rio de Janeiro. Impossível realizar o jogo no piso liso da quadra. Um risco para os atletas.

Solução: adia-se para nova data, com previsão de calor e céu claro em uma semana!

Detalhes: Lembro de todos os detalhes tão pequenos, que fizeram com que o adiamento  valesse a pena. Seguiu-se um cronograma de desmontagem e remontagem da quadra, os operários, comandados pelo grande Maraco, cuidando com carinho do gramado, pois o futebol continuaria a ser disputado ali. Da preocupação dos técnicos da Record para a colocação das câmeras, para uma apresentação clara e bonita do jogo, sob a batuta do Luis Vilela. Da força dos patrocinadores Banco Economico, Volkswagen, Rainha, no aproveitamento da visibilidade que o grande jogo lhes oferecia.

Da segurança interna e externa do Maracanã, nas mãos do saudoso Chicão Castelar, da venda de ingressos nas mãos do Rubens. A imprensa estava nas boas mãos de Denise Miràs e a administração do cenário nas mãos modestas deste que vos descreve as memórias.

É preciso saber viver: Tal qual a grandiosa festa de Roberto Carlos, nenhum detalhe foi esquecido. Apenas a imponderável e indomável vontade dos Deuses da chuva, que resolveram comparecer em peso, sem terem sido convidados. E como penetras indesejáveis, resolveram atrapalhar a festa, ou melhor as festas. Mas não conseguiram!!

Não quero  ver você triste assim: Dia 23 de julho de 1983. Novo  dia, para o jogo. 

21h30. Maracanã. Público presente, 94 mil. Tudo pronto para receber...a chuva!! Sim, novamente ele se fez presente.  Os russos não podem  adiar novamente. Têm jogos na Europa.

Voce meu amigo de fé, irmão, camarada: A equipe russa está ansiosa! Quer jogar!  Está deslumbrada com a quantidade de gente e com o cenário magnífico.Todos os jogadores russos e brasileiros, ajoelham-se com toalhas nas mãos para ajudar a enxugar a quadra. Pegam em rodos. Esforço inútil. A chuva é implacável. Mas não desistem.

E deles vem a salvação: vamos jogar no carpete. É só cortar. E assim foi feito. Cortamos  os carpetes que serviram de passarela, marcamos a quadra com esparadrapo, e o jogo teve início.

Emoções: 94 mil pessoas vibraram e se emocionaram com o maravilhoso espetáculo que, Bernard, Xandó, Renan, Ronaldo, Willian, Amauri, Marcos Vinícius, Domingos Maracanã, Léo,  Bernardinho, Cláudio, Rui, Fernandão, Antonio Carlos  e Montanaro, comandados por Bebeto de Freitas, José Carlos Brunoro e Jorge Barros pelo Brasil;  Zaitsev; Victor, Gribov, Smuguilev, Savin, Loor, Molíboga, Pantchenco, Selivanóv, Chkurikhin e Kubelnik, comandados por Viatcheslav Platonov e Iuri Furaev  pela Rússia, com a arbitragem que Eduardo Alcântara e Rafael Muradov ofereceram. Inesquecível!!

Como é Grande o meu Amor por Você:

Vitória de 3 x 1 do Brasil.

Vitória dos três mosqueteiros que acreditaram no sucesso.

Vitória do esporte, que mostrou sua força e seu fascínio.

E tal qual Roberto Carlos no Maracanã, venceram a chuva.

E receberam do grande público a  mais completa e definitiva declaração de amor!!

* Pedro Pires. Publicitário, especializado em Marketing Esportivo, participou do projeto de desenvolvimento do vôlei nacional pela Promoação, com passagens pela J.Cocco Propaganda e Marketing, Brunoro & Cocco Sports Business, coordenação da Pós Graduação da Escola de Negócios Trevisan e atualmente Diretor Executivo do Instituto do Esporte Wanderley Luxemburgo de Ensino a Distância (pedro@iwl.com.br 11 3799-2328)

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