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Vôlei

01/02/2002

SUPERLIGA FEMININA

FABIANA BERTO COMANDA O REXONA NA BUSCA DO TRICAMPEONATO

Curitiba (PR) - Desafios existem para ser enfrentados e, dentro do possível, superados. Com esse pensamento, a levantadora Fabiana Berto, sempre crítica e exigente consigo mesma, é a responsável pela armação das jogadas do Rexona na tentativa de o time de Curitiba conquistar o tricampeonato da Superliga. Com vários títulos no currículo, a atleta paulistana, de 26 anos, completados no último dia 23, sonha em subir no degrau mais alto do pódio do torneio. E, se depender de suas atuações, o time paranaense, líder da competição, pode aumentar ainda mais a confiança na recuperação da hegemonia nacional. Afinal, Fabiana lidera o ranking de melhor levantadora da Superliga, segundo as estatísticas oficiais do torneio, com 43,74% de aproveitamento. Fofão, titular da seleção brasileira, está em segundo lugar, com 42,11%. No Rexona, Fabiana Berto tem uma missão difícil: fazer a torcida esquecer de Fernanda Venturini, a levantadora que comandou o time em duas conquistas de títulos brasileiros e de um vice-campeonato. O desafio, como sempre, é encarado com naturalidade. Fabiana começou a jogar vôlei ainda menina, com 9 anos, e logo sua persistência, inteligência e maneira alegre de atuar chamaram a atenção de técnicos dos principais clubes do país e foi convidada para jogar no Paulistano em 1989, no Pão de Açúcar em 90, no Blue Life/Pinheiros de 91 a 97, no MRV/Minas na temporada 98/99, no Petrobrás/Macaé 99/00 e novamente no Blue Life/Pinheiros em 99/00. Em 2001, Fabiana veio para o Rexona completar o time do técnico Helio Griner e também foi convocada por Marco Aurélio Motta para defender a seleção brasileira. Entre seus títulos, estão dois mundiais juvenil (93 e 95), três sul-americanos (93/94/95), um sul-americano de clubes 99 e um sul-americano com a seleção adulta. Pelo Rexona, foi campeã da Supercopa e vice-campeã do Paranaense, em setembro. Acompanhe este bate-bola com a jogadora e conheça um pouco mais da sua carreira e da sua vida. Rexonavôlei - Como e quando você começou a jogar vôlei? Fabiana Berto - Comecei com 9 anos em São Paulo. Sou sócia do Clube Paineiras do Morumbi, sempre freqüentei o clube e cheguei a praticar vários esportes como atletismo, basquete e natação até que chegou uma hora em que tinha de escolher apenas um. Escolhi o vôlei porque minha mãe já jogava com as veteranas. Assistia aos treinos e gostava. Também tive muito incentivo do meu tio que gostava de esporte. Rexonavôlei - Você se espelhava em alguma atleta quando começou? Fabiana Berto - Muita gente brinca que eu tenho o número 14 na camisa por causa da Fernanda Venturini. Na verdade, na época em que comecei, nem conhecia a Fernanda. Então, não sou 14 por causa dela, mas a admiro muito. Acho que foi a melhor levantadora de todos os tempos. Rexonavôlei - Falando em Fernanda, ela já atuou pelo Rexona e foi muito importante para o time. A Kátia a substituiu na última temporada e agora você assumiu a posição. Você espera muita cobrança? Fabiana Berto - Já parei para pensar nisso, inclusive quando fechei o contrato. Acho que talvez tenha sido mais difícil para a Kátia, porque foi a primeira, mas ela deu conta do recado. Espero uma certa pressão, mas é normal a torcida cobrar. Rexonavôlei - Você começou a jogar no vôlei adulto ainda bem jovem. Como foi lidar com a fama, mídia, fãs? Fabiana Berto - Nessa época jogava pelo Pinheiros. Lá é bem esquema clube mesmo. Por mais que a imprensa falasse alguma coisa, lá não tínhamos nenhuma pressão por parte do técnico, do clube. Ele falava que estava evoluindo, mas sem aquela cobrança que você tem de fazer. Foi legal porque estava me divertindo. Achava o máximo estar jogando na equipe adulta, disputando a Superliga. Jogar contra Ana Moser, Ana Paula, aquilo para mim era maravilhoso, mas pressão do clube não tinha. Rexonavôlei - E a Fabiana é muito exigente com a Fabiana? Fabiana Berto - Sempre me cobrei muito porque sabia o que queria. Tive minhas fases ruins, em que pensava em desistir, e outras fases melhores, em que curtia o meu rendimento e dizia para mim que o meu vôlei estava legal, que precisava continuar me esforçando para tentar jogar na seleção. Minha cobrança sempre foi natural e sadia. Rexonavôlei - Qual é principal característica que você acredita ter em quadra? Fabiana Berto - Acho que sou muito racional, talvez até demais. Pela minha posição preciso, na hora do desespero, tentar parar, entender o momento do jogo e pensar o que deve ser feito. Acho que consigo fazer isso. Rexonavôlei - Como você analisa o ano de 2001 do Rexona? Fabiana Berto - O que posso dizer é que 2001 foi um ano superbom. Participei da Supercopa dos Campeões e mesmo não tendo muito tempo para treinar ganhamos. No Grand Prix, não tivemos o resultado que esperávamos, mas foi bom até para aprender para a Superliga. Rexonavôlei - Como é para você ser considerada a melhor levantadora da Superliga 2001/2002? Fabiana Berto - É muito bom para o ego de qualquer atleta ter seu trabalho reconhecido, mas o mais importante é que o Rexona está bem no torneio. Nós trabalhamos em equipe e o resultado no todo é mais importante do que os resultados individuais. Não basta ser a melhor levantadora se nós não conseguirmos atingir o objetivo principal, que é a conquista do tricampeonato. Rexonavôlei - Qual é a diferença entre jogar num clube e na seleção brasileira? Fabiana Berto - Na verdade, não vejo diferença. Acho que a seleção te dá mais realização de objetivos, mas quando você está jogando você se entrega do mesmo jeito, independentemente de ser um jogo disputado por um clube ou pela seleção. Em ambos, você treina muito, mas na seleção a concorrência pela vaga, a chance de ser dispensada se cometer qualquer falha causa um pouco mais de estresse. Rexonavôlei - Como você analisa o ano de 2001 da seleção brasileira? Fabiana Berto - Peguei as seleções infanto e juvenil brasileira que é uma coisa. Na seleção adulta, cheguei a ser convocada, acho que em 96, pelo Bernardinho. Tinha acabado de ser adulta quando ele me chamou, treinei um tempo e fui dispensada. No ano passado foi, realmente, a minha convocação pra valer onde briguei por posição, etc. Para mim, especialmente, foi muito legal porque foi o ano em que me firmei na seleção independente dos resultados. Em termos de resultado não foi realmente o esperado, mas acho que foi porque estava numa fase de transição. Acho que as meninas que já jogavam sentiram mais. Rexonavôlei - Como é viver dentro da seleção, que viaja o mundo inteiro? Fabiana Berto - Tem um lado muito legal, em que você acaba conhecendo vários lugares e culturas diferentes. Já fui para a Tailândia, para o interior da China... vários países. Antes de viajar sempre me informo sobre o lugar para aonde estou indo, porque gosto de história e geografia, apesar de saber que não vou conseguir conhecer muito bem o lugar porque não estou passeando. Por outro lado, já me aconteceu de acordar num hotel e não saber onde estava. Já estive em lugares péssimos, provei comidas maravilhosas e outras muito estranhas. Na China, a comida é superapimentada. Uma vez, na Tailândia, falaram que estávamos comendo cobra, mas a gente só tinha aquilo para comer e tínhamos que nos alimentar para jogar. Era uma carne diferente. Graças a Deus eu como de tudo, mas muitas companheiras sofrem com isso. Rexonavôlei - O que gosta de fazer nas horas de folga? Fabiana Berto - Sempre que posso vou para São Paulo. Ainda não fiquei em Curitiba porque não tive praticamente nenhuma folga aqui. Também gosto de fazer velas artesanais para distrair a cabeça. Rexonavôlei - Você é casada com Ângelo Vercesi, preparador físico do Blue Life/Pinheiros. Como é quando jogam um contra o outro? Fabiana Berto - Na verdade, durante os jogos a gente nem se olha muito, é uma situação um pouco estranha. Ele sempre fala que deseja que eu seja a melhor jogadora do Rexona em quadra, mas que o Pinheiros ganhe. E aí eu digo que prefiro ser a melhor jogadora, mas também que o meu time ganhe. No final do jogo, se o Rexona vence é delicado porque fico feliz e ele também, por mim, mas ao mesmo tempo fica triste porque o time dele perdeu. Quando o Blue Life ganha é a mesma coisa, mas ao contrário. É supercomplicado. Um não festeja muito perto do outro. Rexonavôlei - É difícil para uma atleta conciliar a vida particular com a profissional? Você mora em Curitiba e ele em São Paulo. Rola ciúmes? Fabiana Berto - Geralmente vou para São Paulo porque tenho os meus pais lá. Acho que tive sorte porque encontrei uma pessoa que entende bem isso, talvez porque ele é do meio esportivo. Ele me deu força para vir jogar em Curitiba e não rola ciúmes. Somos muito sossegados; um pouco ciumentos, mas coisa bem "light". Rexonavôlei - Quais são os seus maiores sonhos? Fabiana Berto - No lado profissional, quero ser campeã da Superliga e ir para uma Olimpíada. No lado pessoal, gostaria de ter uma vida sossegada, poder ter uma semana inteirinha de férias na praia (risos), ter a família tranqüila. Sei que a minha vida até os trinta e poucos anos será essa correria. Mais informações podem ser obtidas no site www.rexonavolei.com.br ZDL

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